Postado em 20 de novembro de 2019

Bancos demitem 5.542 funcionários em 12 meses


De acordo com reportagem do Poder 360, comparando os balanços dos cinco maiores bancos do País, estes fecharam 611 agências e demitiram mais de cinco mil funcionários num período de 12 meses.

O campeão no fechamento de postos de atendimento foi o Banco do Brasil. Do terceiro trimestre de 2018 ao mesmo período deste ano, passaram de 4.147 para 3.684 unidades -recuo de 11%. O número de funcionários caiu de 97.232 para 93.872.

Menos 1.200 agências até o fim de 2020

A expectativa é de que os bancos fechem 1.200 agências até o fim do próximo ano. O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, vem repetindo em entrevistas que a Caixa é o “banco da matemática” e admitiu a hipótese do fechamento de agências se, pelas contas, for considerado uma iniciativa oportuna.

Juntam-se a isso os PDVs, Programas de Demissão Voluntária, oferecidos pelas instituições financeiras. Somente neste ano,a Caixa deve diminuir mil funcionários, em meio à mega operação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Desligamento de funcionários prejudica cidadãos

Desde 2014, a CEF perdeu cerca de 15 mil funcionários e passou de 101 mil, em 2014, para 85 mil empregados, em 2018. Funcionários da instituição reclamam da carga de trabalho, que acarreta na piora do atendimento à população e traz impacto negativo para a saúde dos empregados.

Para Dionísio Reis, Coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, os PDVs são inapropriados, já que os bancos precisam de mais funcionários. “A nossa luta é para melhores condições de trabalho e de atendimento à população. Para isso, precisamos de mais trabalhadores e não menos. Esta redução prejudica não só os trabalhadores que ficam, como também a população, que é prejudicada diretamente”, diz.

Veja também: Bancários têm 96% de probabilidade de serem trocados por máquinas

Tecnologia tem sido usada como desculpa

A justificativa dos dirigentes para a diminuição do quadro de funcionários e do número de agências e postos de atendimento está ligada à tecnologia. Uma pesquisa da Deloitte com a Febraban mostra que 60% das transações bancárias já são feitas por canais digitais.

No entanto, é preciso ter em mente que a tecnologia não substitui totalmente a mão de obra humana, principalmente em um País em que 30% das pessoas ainda não têm acesso à internet e que carece de cidadania bancária, principalmente em suas regiões mais afastadas. E levar cidadania bancária a essas pessoas é função dos bancos públicos, por meio de agências e postos de atendimento.

É necessário requalificar quem perde o emprego por causa da tecnologia

É oportuno ressaltar aqui as palavras do economista Claudio Adilson Gonçalez, em artigo para o Estadão. “A mão invisível aloca os recursos onde estes são mais produtivos, cria novas tecnologias e acende a chama do empreendedorismo, mas não lida bem com questões de desigualdade e pobreza”, diz.

Para ele, é necessário que haja um “retreinamento e requalificação de pessoas que perderam seus empregos em virtude das novas tecnologias”. Isso também é fundamental para pensarmos o Brasil sob o viés da diminuição das desigualdades. E os bancos, fundamentalmente os bancos públicos, estão no centro dessa questão.

Fonte: https://recontaai.com.br/2019/11/19/bancos-fecham-611-agencias-demissoes/