Postado em 7 de maio de 2020

Ao mudar forma de atendimento, Caixa piora ainda mais as condições de trabalho.


Conselheira Rita Serrano fiscalizou na manhã desta quinta, 7, agência de Ribeirão Pires, no ABC Paulista, e destacou necessidade de medidas urgentes para mudar esse cenário.

A Caixa mudou a forma de atendimento para reduzir as aglomerações e filas causadas pelo pagamento do auxílio emergencial, mas a entrada da população nas agências piorou ainda mais as condições de trabalho e os riscos de contaminação pela covid-19 para todos. A avaliação é da conselheira representante dos empregados do banco, Rita Serrano, que na manhã desta quinta, 7, esteve na unidade de Ribeirão Pires, na região do Grande ABC Paulista.

“O desrespeito é gritante com empregados e sociedade. Os bancários estão sendo chamados para abrir as agências às 5h, 6h da manhã; as pessoas entram, nem sempre com a distância de assentos necessária sendo respeitada, o ar condicionado é ligado, há gente que ainda não possui máscara… É um risco ampliado para se contrair a doença”, afirma a conselheira, que já apresentou várias alternativas para redução do problema. “Nesse momento as filas até diminuíram, pois o pico de pagamento dessa parcela já foi. Mas outras virão, e talvez sejam necessárias até mais do que as já aprovadas. É urgente adotar ações de proteção”, destaca.

Confira, abaixo, as principais avaliações da conselheira e o vídeo com sua participação na agência de Ribeirão Pires.

Desinformação: há necessidade de que o governo federal atue para oferecer um atendimento digno à sociedade, já que o decreto que estabeleceu o auxílio emergencial traz contradições, restringiu o acesso a quem pode utilizar internet e faz com que a maioria dos que estão nas filas busquem apenas por informações.

Falta de planejamento: a demanda dos que procuram pelo auxílio é muito maior do que a estimada pelo governo federal, o que denota desconhecimento e falta de planejamento. Parcerias deveriam ser efetuadas com governos estaduais e/ou municipais.

Importância de compartilhamento: outros bancos poderiam compartilhar do serviço de pagamento, reduzindo as filas e riscos para todos (bancários e sociedade).
Distribuição de máscaras – é fundamental a distribuição de máscaras. A Caixa distribui a seus empregados, mas o governo deveria oferecer aos que estão nas filas.

Agilidade x improviso – o banco foi ágil na elaboração de aplicativo, mas adotou medidas de improviso ao estabelecer o funcionamento de agências no final de semana sem a devida comunicação com a sociedade.

Tentativa de readequação – mais vigilantes e recepcionistas contratados e mais de 3 mil funcionários realocados foram ações anunciadas pela Caixa. Medidas importantes já reivindicadas pela conselheira e movimento sindical, mas que podem se tornar menos efetivas pela falta de planejamento do governo.

Relatos de violência – há relatos de agressões a empregados do banco, em especial em Manaus (AM), onde são altos os índices de contaminação e mortes pela covid-19. A conselheira contatou o banco e o VP de Rede deve visitar a capital nesta sexta-feira.

Comprometimento – Não cabe ao empregado da Caixa orientar à sociedade, mas sim ao governo federal, que demonstra seu descaso com essa população. Muitas vezes a imprensa coloca a culpa no trabalhador da Caixa, o que não é correto. Todos eles estão comprometidos com o trabalho, em home office ou nas agências, sob pressão dobrada, da direção e dos usuários, com expediente em finais de semana e jornada diária que extrapola o horário normal.